De perto ninguém é normal

Um espaço para registrar o que minha mente não consegue guardar.

Manoel de Barros

1 de novembro de 2007

Já falei milhões de vezes aqui que curso Letras e que amo meu curso. Tenho orgasmos múltiplos estudando língua portuguesa e literatura.
É tão bom fazer uma escolha tão importante e ter a certeza de que você ficou com a melhor opção, que escolheu certo pelo menos uma vez na vida.
Hoje na aula de literatura estudei Manoel de Barros.
Eu, simplesmente adoro a forma como ele escreve.
Segue um pequeno comentário a respeito da poesia dele que eu retirei de um livro e em seguida duas poesias.
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"Os poemas do Manoel não são para ninguém entender. como ele mesmo já disse. São para a gente esfregar nos olhos, espreguiçar e despertar mais feliz. Enfim, quando o Manoel escreve, a poesia acorda arrepiada de sol, mas quem amanhece é o leitor.
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"Com as palavras
se podem multiplicar
os silêncios."
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"As coisas muito claras
me noturnam."

Rapidinhas que eu amooo

30 de setembro de 2007

"Os meus desejos irei ver nos teus olhos refletidos.
Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.
Nem vou deixar - mesmo querendo - nehuma fotografia."
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"Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou…
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço"
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"O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente.
Eu quero apenas amortecer os erros e mudar de idéia…"

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"Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem. O minuto que vem é forte, jucundo, supõe trazer em si a eternidade, e traz a morte, e perece como o outro, mas o tempo subsiste."
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"Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minha fonte, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim"

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"Não importa onde você parou…
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e
necessário recomeçar".
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"Benditas coisas que eu não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que eu nunca encontrei"
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"O tempo escorre num piscar de olhos
E dura muito além dos nossos sonhos mais puros
Bom é não saber o quanto a vida dura
Ou se estarei aqui na primavera futura
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa nenhuma"

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Ou isto ou aquilo

15 de setembro de 2007

Nada me tira mais o sono do que ter que escolher…qualquer coisa, sem exceção.

Fazer escolhas, pelo menos pra mim, é sempre muito doloroso. Eu chego a ficar vários minutos em frente a um balcão de lanchonete pensando se quero uma coxinha ou um risole, um bolo de chocolate ou um de maracujá.

Eu quase morro de catapora só em ter de escolher entre duas bolsas, duas blusas, duas calças, dois sapatos, dois livros, dois perfumes…

E se escolho os dois, depois me pego pensando sobre qual conta pagarei porque se compro tudo isso também não terei dinheiro pra pagar tudo.

E isso são coisas bobas, mas imagina ter de escolher entre cursar Relações Públicas ou Letras, terminar o namoro ou me esforçar para salvá-lo, casar (e olha que isso é PRA SEMPRE) ou correr o risco de viver solteira para o resto da vida (é…eu sou trágica mesmo).

Escolher emprego é horrível!!!!

Nossa, eu fico imaginando ter que escolher os detalhes da festa do casamento, depois se vou morar em casa ou apartamento, se fico em São Paulo ou se vou pra bem longe…

E quando eu tiver filhos! Ter de escolher nome, escola, tipo de brinquedo, roupinhas etc. E depois que crescerem eu ainda terei de escolher a namorada (o) porque opinião de mãe conta muuuuuito.

Eu levo todas as escolhas da minha vida muito a sério. Imagina se eu escolho o tom errado da tinta do cabelo? Não dá pra passar outra cor em seguida, isso detona o cabelo. E se eu escolho o corte errado? Serão dias me xingando toda vez em que eu me olhar no espelho.

"Você faz o que parece ser uma simples escolha: escolhe um homem, um emprego, ou um bairro — e o que você escolheu não é um homem, um emprego, ou um bairro, mas uma vida." 

Jessamyn West

Ai…chega desse assunto porque eu já to pirando.

 

Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles

 

 

Inconstância

24 de julho de 2007

Desconfio que a Florbela Espanca fez este poema para Emy…

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há de partir também…nem eu sei quando…

O AUTO RETRATO

20 de julho de 2007

O AUTO-RETRATO

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore…

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança…
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão…

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança…
Corrigido por um louco!

Mário Quintana

“Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo” Mario Sergio Cortella

Os Mários sabem o que dizem…eu to me fazendo ou me pintando…dá no mesmo.

Bjs

Lira Romantiquinha

16 de julho de 2007

Lira Romantiquinha

Por que me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso?

Por que não queres,
deixando o alarme
(ai, Deus: mulheres!),
acarinhar-me?

Por que cultivas
as sem perfume
e agressivas,
flores do ciúme?

Acaso ignoras
que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?

Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma,
o peito meu?

Anjo sem fé
nas minhas juras,
porque é que é
que me angusturas?

Minh’alma chove
frio, tristinho.
Não te comove
este versinho?

 

Carlos Drummond de Andrade

Semana totalmente romântica, pois, ao contrário da Emy, eu sou uma pessoa muito bem resolvida emocionalmente e completo este mês cinco anos de namoro.

Rumo ao altar, se Deus quiser !!!

NOVO DIA!

13 de julho de 2007


 Mais um novo amanhecer…
Ao despertar ouço uma voz…
Saia da cama menina…
Não perca tempo chorando…
Nem se culpe pelo que perdeu…
Volte a sorrir…
Mesmo que a tristeza…
Insista em ficar…
Outro dia…
Desperte pra vida menina…
O mundo lá fora te espera…
Vista seu lindo vestido…
Venha comigo dançar…
Jogue fora tudo que ontem…
Fez-te chorar…
Siga teus sonhos…
E aguarde o melhor…
Outro dia…
A vida te espera…
Não se desespere…
Escolha outro lindo vestido…
E vamos juntos dançar…
Acerte o passo…
No compasso da dança…
De corpos juntinhos…
Vamos dançar…
A musica que a vida quiser…

Vania Staggemeier


Este post é em homenagem a uma amiga muito querida!!!!!

Manu, não fica triste…porque senão eu fico também…

Beeeeijos

 

Fatal

11 de julho de 2007

"É absurdo pensar que o único meio de saber se um poema é imortal seja aguardar que ele perdure. Quem sabe ler um bom poema deve poder dizer, no momento em que é por ele atingido, se recebeu ou não um golpe de que nunca mais se curará. Significa isto que a perenidade em poesia, como no amor, apreende-se instantaneamente; não necessita de ser provada pelo tempo. A verdadeira prova de um poema não reside no fato de nunca havermos esquecido, mas de nos apercebermos imediatamente de que jamais poderemos esquecê-lo".
Robert Frost (poeta americano - 1874-1963)

”Eu te amo antes e depois

 de todos os acontecimentos.
Na profunda imensidade do vazio

 e a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo em todos os ventos que cantam,

em todas as sombras que choram,

na extensão infinita do tempo

até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo em todas as transformações da vida,

em todos os caminhos do medo,

na angústia da vontade perdida

e na dor que se veste em segredo.

Eu te amo em tudo que estás presente,

no olhar dos astros que te alcançam,

em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo desde a criação das águas,

 desde a idéia do fogo

e antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente desde a grande nebulosa

até depois que o universo cair sobre mim suavemente.”

(poema de Adalgisa Néri)

 

 

A um ausente

10 de julho de 2007

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste…

 

Carlos Drummond de Andrade 

  

 

 

 Não dá nem pra contar as vezes em que isso me aconteceu…

O RELÓGIO

21 de junho de 2007

Diante de coisa tão doída
Conservemo-nos serenos

Cada minuto de vida
Nunca é mais, é sempre menos.

Ser é apenas uma face
Do não ser, e não do ser

Desde o instante em que se nasce
Já se começa a morrer.

Cassiano Ricardo

Recuso-me a falar sobre isso… afinal de contas "mentiras sinceras me interessam". 

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